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A new place.

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One Year and One Day.

Há um ano começou aqui, mas hoje continua ali.

O blogue mudou de imagem e de domínio, mas o conceito continua a ser o mesmo, o meu, o La Bohemie. Podem continuar a ler-me num novo espaço, aqui.

Há um ano começou assim e se da primeira vez não sabia o que escrever, hoje também não sei. Quando comecei o blogue não fazia ideia do que iria acontecer, mas rapidamente vi-me envolvida num universo de blogues que desconhecia e hoje não passo um dia sem lê-los, como se de jornais se tratassem. Muitos perguntam-me porque comecei o blogue e, na tentativa de criar mentalmente uma resposta elaborada, respondo porque quis. Não existe uma regra, uma obrigação, uma dissertação nem um ensaio para explicar a razão de ter começado o blogue, assim como não sei explicar porque comecei a fazer teatro com cinco anos, ou porque gosto de escrever e porque licenciei-me em Comunicação Social. Podia explicar que em poucos anos os blogues conheceram uma difusão extremamente célebre na rede, impondo-se como um novo modelo de comunicação diferente dos que até então haviam surgido e que permite publicar qualquer texto com total autonomia e aos leitores interagir, mas estaria a criar precisamente a resposta elaborada que evito dar porque, no fundo, eu tenho este blogue porque quero. Claro que uma licenciatura e um mestrado obrigaram-me a saber como as percepções se tornam realidade, por que razões utilizam as pessoas as redes sociais e qual o objectivo de utilizarem plataformas digitais, como os sites e os blogues – porque existem estudos e investigações que explicam as razões sociais e existem, igualmente, termos como tecnopsicologia ou web semântica. Mas nada disto me serve como desculpa para ter criado um blogue, cujo nome nem sequer existe em dicionários ou enciclopédias. Hoje em dia quase toda a gente tem um blogue, seja de moda, culinária, cinema ou automóveis. Uns existem há mais tempo que outros, uns são mais visitados que outros, uns falam de branco, outros falam de preto – mas todos têm o mesmo objectivo, partilhar os gostos e as ideias de cada um. E o La Bohemie não é diferente, ele existe para que eu possa partilhar as minhas ideias e os meus gostos, passem eles por roupas e sapatos, por fotografias e imagens, por crónicas ou viagens. Por isso é que não é um blogue de moda, porque não publico apenas artigos de roupas, colecções e tendências; não é um blogue de crónicas porque não as escrevo todos os dias; não é um blogue de teatro porque eu represento apenas em cima de um palco e também não é um blogue de viagens porque essas faço-as quando posso. Não existem respostas certas e erradas, nem blogues bons e maus porque como diz o velho ditado “não se pode agradar a gregos e a troianos”. Actualmente existem cada vez mais formas de analisar a qualidade de uma plataforma digital, assim como se avalia a qualidade de um produto de consumo, passando pela imagem da marca, pela cor, pelo formato, pela letra – não existem designers de comunicação por falta de criatividade de profissões – e dessa forma todos nós passamos por críticos desse mesmo produto, daí a concorrência e a rivalidade serem cada vez maiores. E ter um blogue, seja pessoal, seja profissional, faz de nós donos de um produto que pretendemos “vender” aos nossos “consumidores” respeitando sempre a filosofia, o empenho, a dedicação e criatividade de cada um. Há bloggers que preferem ter um blogue com cores extravagantes, outros têm blogues simples e minimalistas, uns preferem partilhar diariamente outfits e marcas de excelência, outros produtos de beleza. Uns preferem apenas escrever o que lhes vai na alma, outros partilham dicas e conselhos. Claro que o consumidor gosta de ler um blogue que não tenha erros ortográficos, que esteja actualizado, que tenha imagens nítidas, dicas e conselhos sugestivos, prémios e ofertas tentadoras porque se o lê é porque o ajuda e o entretém e, por isso mesmo, é cada vez mais importante a qualidade aliada à quantidade numa plataforma digital, por causa do consumo diário. Arrisco-me até a dizer que consultar um qualquer tema num motor de busca é como entrar num mercado municipal porque num mercado não existe apenas uma banca de peixe, uma de carne e uma de legumes e frutas, existem variadas ofertas e cabe ao consumidor escolher a que mais lhe interessa.

Eu não criei o La Bohemie  para vender seja o que for nem para agradar os meus leitores – criei o blogue porque sim, porque sempre gostei de escrever em diários e os Moleskine estão cada vez mais caros. Criei o blogue porque há um ano, sentada numa esplanada, disse a um amigo que ia criar um blogue. Não pensei nas consequências, no que iria eu escrever ou partilhar, não pensei um nome nem imagem. Decidi apenas criar um blogue para fazer o que sempre fiz para mim mesma, tirar fotos, escrever sobre o que me vinha à cabeça, registar. E depois sim, vieram as tais dúvidas existenciais – em que domínio criava o blogue, qual seria a imagem do mesmo, teria de escrever todos os dias, teria de tirar fotografias todos os dias? – E aos poucos fui aprendendo a lidar com o meu blogue que, no fundo, era apenas o meu diário em formato digital e foram surgindo algumas explicações mais construtivas. O blogue começou no dia 1 de Março porque, como muitos de vós sabem, eu detesto números pares e não fazia sentido começar um projecto tão importante dia 28, numa segunda-feira, por isso, começou a uma terça, num dia ímpar e no primeiro dia de um mês ímpar (acreditem, sou completamente paranóica com números pares). A imagem do blogue foi durante um ano precisamente a primeira fotografia que tirei naquela tarde sentada numa esplanada. Hoje é outra porque também eu sinto-me em constante mudança. Escolhi o domínio “wordpress” porque em momentos tive um blogue da “blogspot” para uma cadeira da faculdade e queria obrigatoriamente um domínio díspar que me ensinasse a utilizar diversas ferramentas. E por fim, o nome – tinha de ser algo original, algo diferente, algo que fosse muito meu – daí o nome La Bohemie, um nome que me era sonante, fora do comum dos mortais porque a expressão nem sequer existe e como o blogue é sobre os meus gostos e costumes, fazia sentido que fosse um nome desigual que mostrasse um pouco o meu conceito boémio que no íntimo nem sequer o é. E depois foi só escrever o primeiro post, o tal que não fazia ideia do que escrever, e já estava, mergulhada num oceano infinito de blogues e plataformas digitais. Depois, pouco a pouco foram aparecendo oportunidades que, penso hoje, podiam ter surgido mesmo sem a existência deste meu diário – participar nas edições da Moda Lisboa e do Portugal Fashion, ter sido fotografada para a Vogue Espanhola ou por outros bloggers nacionais, ter ido a eventos relacionados com uma área que até gosto que é a Moda. Mas sinceramente o que mais me diverte neste mundo são as pessoas que conheci e continuo a conhecer, as amizades que fiz e que ficarão para quase sempre – sim, eu conheci o meu namorado por causa deste blogue. E apesar de ter aprendido a redigir na máquina de escrever do meu pai e de escrever e anotar tudo e mais alguma coisa nos Moleskines, diverte-me este imenso mundo digital onde, ao alcance de um clique, conheço pessoas por causa do blogue, do Twitter ou do Facebook, partilhamos ideias e opiniões, marcamos saídas e combinamos fins-de-semana em cidades diferentes. Sim, eu criei este blogue porque quis e continuo a manter este blogue porque quero. Porque como diz no About me, adoro escrever e conhecer pessoas e gosto cada vez mais de poder partilhar convosco o que me vai na alma, sejam roupas e sapatos, sejam crónicas ou viagens, seja todos os dias ou quando me apetece e posso porque vocês já fazem parte deste meu vasto mundo digital.

Obrigada a todos vós que me lêem, escrevem e partilham as vossas ideias.

Beijinhos, La Bohemie.

Há dias perguntaram-me qual era o meu lugar favorito e a minha resposta foi automática – a minha casa. A minha casa, seja ela qual for, seja ela onde for, será sempre o meu lugar favorito porque será sempre o meu forte seguro, o meu porto de abrigo. A verdade é que sempre vivi em casas grandes, num ceio familiar considerado grande. Cresci numa grande quinta no Algarve, junto dos meus pais e dos meus irmãos, onde as tardes eram passadas entre brincadeiras no meio dos pomares, nos jardins ou no quarto dos brinquedos. No Verão vinham os avós e os primos e os dias eram de convívio com almoços e jantares no alpendre, com banhos de sol na piscina e brincadeiras no meio da terra. No Outono calçava as galochas e ia com os caseiros apanhar azeitonas, dava longos passeios no tractor e no jipe com o meu pai e apanhava laranjas, passeava de mão dada com a minha mãe pelos longos caminhos de terra batida e apanhava flores para os arranjos da mesa. Lembro-me de chegar todos os dias do colégio e, ainda com a farda vestida, ia dar milho às galinhas e recolhia todos os ovos que encontrava. No Inverno ajudava o meu pai a juntar todos os galhos de árvores para que as noites fossem passadas junto à lareira a comer leite e ver televisão. E por mais que gostasse de brincar lá fora aos polícias e ladrões, de fazer corridas de bicicleta com o meu irmão, de colocar os gatos no topo do escorrega ou de simplesmente ouvir o som dos pássaros e dos tractores bem longe a lavrar a terra, era ali, no quarto dos brinquedos, que tudo acontecia. Que eu escrevia as minhas histórias e depois fazia os meus teatros. Um dia era médica, no outro era empregada da limpeza, num dia vendia frutas e legumes e no outro era cabeleireira. Aquele era o meu mundo, o do faz de conta, o do ser ou não ser, o do poder ser tudo o que queria ser. Atriz.

Depois, com dez anos mudei de casa e de cidade. Os meus pais compraram uma vivenda, também no Algarve, numa urbanização calma e segura. Diziam que era a zona mais in do momento, que tinha piscina, campos de ténis e ficava perto de tudo. Mas eu não queria saber dessas mariquices para nada. Sempre preferi o mar à piscina, nunca gostei de jogar ténis e na altura sem sequer sabia o que significava ser “in”. Fosse para onde fosse tinha de ter um quarto dos brinquedos, um quarto que fosse só meu, das minhas histórias e personagens. E tive, e ainda tive mais. Tive um espaço para dormir, para trabalhar, para ver televisão (as novelas que via às escondidas do meu pai) e para jogar todos os jogos que eu quisesse. Continuei a ter o jardim com os cães, a piscina para as tardes de Verão, o terraço para os banhos de sol de onde se via o mar, o campo a 3 minutos, o centro da cidade a 5 e a praia a 7. Estava tudo ali pertinho, o sol, a praia e as ruas com as lojas onde gostava de comprar roupa. Pela primeira vez tinha muitos vizinhos que diziam bom dia e boa tarde, tinha meninos que brincavam comigo e com os meus irmãos, tinha o campo onde passeava de mão dada com a minha mãe e apanhava flores para os arranjos da mesa e tinha o meu quarto, o meu forte seguro, o meu porto de abrigo.

Depois cresci e senti que nada daquilo me fazia sentido. Preferia todos os fins-de-semana que vinha a Lisboa ver os avós, tios e primos; preferia o frio de Lisboa ao calor do Algarve; preferia as lojas de Lisboa às lojas do Algarve; preferia Lisboa ao Algarve. Comecei a sentir-me sufocada e acreditava que ali nunca seria jornalista nem atriz. E, quando fiz dezoito anos, sai de casa. Mas não, não queria ir para a casinha dos pais onde ficava nos fins-de-semana, eu queria a minha casa, as minhas chaves, as minhas coisas. E há quatro anos que arrendo o meu espaço, o meu forte seguro, o meu porto de abrigo.

Comecei por viver nas Laranjeiras porque ficava perto da Católica – um duplex todo renovado, com soalho que fazia toc-toc, ao qual chamava de “a minha casa de bonecas”. Foi a minha primeira casa, onde recebi as primeiras amigas, o primeiro namorado, onde dei as primeiras festas, os primeiros jantares. Depois vivi uns tempos em Alvalade numa casa que a minha bisavó me emprestou e que me prometeu que um dia poderia vir a ser minha. Mas como sou pessoa que gosta de mudanças, voltei a mudar-me para um apartamento novo nas Olaias. Muitas foram as idas à Ikea, a lojas de decoração e momentos de bricolage com os amigos – tinha mudado para ficar e fiquei durante um ano. Depois senti que Lisboa já não me estava a dar o que desejava ter e decidi viver uns tempos no Brasil. E acreditem ou não, durante um ano vivi em três casas diferentes, todas no mesmo prédio. Era ver-me a subir escada acima, escada abaixo com mesas e cadeiras, colchões e armários.

Quando terminei a licenciatura regressei a Portugal e voltei a arrendar uma nova casa, na Alameda. E por aqui tenho estado há mais de um ano, num T-2 todo renovado, com soalho que faz toc-toc ao qual chamo de forte seguro, porto de abrigo. Ao qual chamo de casa. E é por isso mesmo que gosto de mudar, porque os momentos são importantes e especiais porque não passam disso mesmo, de momentos – feitos de histórias, pessoas, memórias e recordações. E é assim este blogue, a minha segunda casa, o meu conceito feito de histórias, ideias e opiniões, um conceito que está em constante mudança porque também eu mudo com o passar do tempo. E é assim, com esta mudança que vos apresento a nova imagem do blogue, o novo espaço do blogue, a minha nova casa. Sejam bem-vindos aqui.

 

Beijinhos, La Bohemie.

Zara Home in Love.

Sim, eu detesto o Dia dos Namorados mas nem tudo está perdido. A Zara Home estará com descontos de 20% no dia 11 de Fevereiro e, com ou sem namorado, é de aproveitar.

Por mim, podem vir estes pequeninos cá para casa.

E vocês, vão aproveitar os descontos para umas comprinhas?

Beijinhos, La Bohemie.

Freedom – é o tema da 38ª edição da Moda Lisboa.

Ansiosos?

Beijinhos, La Bohemie.

Wishlist #2

Eu prometi a mim mesma que não ia coscuvilhar as novas coleções mas foi mais forte do que eu. Não resisti e agora é tarde de mais. Venha um de cada, por favor.

H&M

 

Chanel

 

Beijinhos, La Bohemie.

Black & White.

Branco e preto ou preto e branco. O conceito nunca sairá de moda. Ontem fui à Ikea comprar umas caixas e arquivadores para o escritório e na hora de decidir a cor, pensei “ou tudo branco, ou tudo preto ou branco e preto”. Nunca fui pessoa de usar preto nem me lembro de ser miúda e usar tal cor. A farda do colégio acompanhava-me dia após dia e nunca fugi muito do azul e branco. Recordo-me até de ser adolescente e no armário só existir roupa azul e branca. Era quase doentio. Todos nós temos uma fase para tudo, até para as cores. Quando deixei de usar farda na escola fui contagiada por um boom de cores, padrões e estampados. Usava de tudo, desde o amarelo, o rosa, o laranja, do verde ao vermelho. A decoração do meu quarto era alterada mais depressa que o nascer do sol – um mês era verde, azul e laranja, outro era em tons de roxos e lilás, caixas das mais variadas formas, velas das mais diversas cores. Quando comecei a viver sozinha as coisas mudaram porque não tinha apenas um quarto para decorar como várias divisões, tinha a minha casa. Sempre gostei muito de decoração de interiores e gastava tardes inteiras a ver as revistas da minha mãe para tirar ideias, fazer apontamentos e desenhar os meus próprios objectos. Tenho para mim que um dos mais desgostos que dei à minha mãe foi não ter tirado Design. Lembro-me de lhe ver o rosto admirado quando lhe disse que queria ser jornalista – eu gostava muito de escrever mas era das melhores alunas em Artes e isso não se podia negar. Já vivi em várias casas e todas elas têm uma história, uma decoração, uma marca. Já passei por todas as cores possíveis e imaginárias, mas hoje pinto os meus dias de branco e preto. Tudo nesta casa é branco e preto, com apontamentos cinzentos e cremes aqui e ali, dourados e beges algures, rosa no quarto de banho e vermelho na cozinha. E foi nesta mesma ida à Ikea que  falei ao Filipe de um hotel em Itália, o Argentario Golf Resort & Spa. Quando conheci este hotel fiquei simplesmente maravilhada – um hotel todo preto e branco com alguns  detalhes. É dos hotéis mais bonitos, simples e conceptuais que conheço. Branco e preto ou preto e branco. O conceito nunca sairá de moda.

Argentario Golf Resort & Spa – Italy.

 

Beijinhos, La Bohemie.

 

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